Olival Ecológico e Solidário

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Instituições de cariz social participam na apanha da azeitona em conjunto com membros da associação.

“Partilha e união”, são estas as palavras de ordem que comandam o projeto de cariz social desenvolvido pela Associação Académica do Politécnico de Portalegre (AAIPP), o Olival Solidário e Ecológico. Este projeto nasceu do desafio lançado pela Presidência do Politécnico que tinha esperança que a associação se mostrasse disponível em ajudar.

“O Olival solidário surgiu o ano passado a convite da presidência do politécnico, havia sempre vários funcionários a apanhar a azeitona do olival e por isso, o professor Luís Loures, lembrou-se que este poderia ser um bom projeto para a associação académica” explica o Presidente da AAIPP, Diogo Aragonez. “Na altura foi um processo muito apressado devido à proximidade da apanha da azeitona, mas mesmo assim a associação conseguiu concretizar este projeto e agarrou-o com unhas e dentes para chegar ao momento em que está hoje, um projeto de sucesso”, revela.

Este projeto foi pensado tendo em conta duas vertentes, a parte solidária e a parte ecológica. A parte ecológica é referente aos produtos. “As nossas garrafas são feitas em vidro e o olival não tem qualquer tipo de produtos fitofármacos, que podem prejudicar o ambiente” esclarece o Presidente da Associação. Em relação à parte solidária “este ano alargámos a base do projeto convidando várias associações de cariz social para participarem connosco na colheita e desta forma também ter uma parte de inclusão social” acrescenta.

A receita do sucesso

Nesta segunda edição, a AAIPP decidiu que seria bastante gratificante para todos ter instituições de cariz social a participar na colheita da Azeitona. As instituições que foram convidadas a participar foram a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Portalegre (APPACDM), nomeadamente o Centro de atividades ocupacionais de Marvão e o de Santo António das Areias, a CERCI e a Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, o Lar de Infância e Juventude Santo António de Portalegre e o Lar de Infância e Juventude PraCachopos de Arronches. 

Lúcia Bartolomeu, coordenadora do Departamento de Ação Social da AAIPP explicou o porquê desta seleção. “Escolhemos estas instituições porque achamos importante criar uma forte ligação com a Comunidade Portalegrense, estarmos mais próximos da cidade que nos acolhe durante os anos em que estamos a estudar” explica. Esta seleção surge também em prol dos objetivos que a associação criou para este projeto. 

De acordo com o Presidente esta iniciativa tem três grandes objetivos. O primeiro é um dos que dá nome ao projeto, “solidário”. “Ajudar aqueles que mais precisam e que neste momento estão mais carenciados é o nosso primeiro objetivo” explica. O segundo, mas não menos importante é a inclusão social, “de forma a conseguimos mostrar a todos que podem contatar connosco (associação) e que, apesar das nossas diferenças, estamos cá para nos entreajudar uns aos outros” acrescenta. 

O terceiro objetivo referido pelo presidente, e que, na sua opinião, é um dos mais importantes é a aproximação entre os estudantes do Politécnico e a comunidade Portalegrense. “Os estudantes não servem só para beber copos, como se costuma dizer, nós estamos cá com outros objetivos, sejam eles para fazer a promoção do próprio politécnico, fazer crescer a economia portalegrense e também para isto, para a parte de inclusão social e para a interação com as coletividades do nosso concelho”, afirma.

Um olival de braços abertos

Durante os cinco dias de colheita estiveram presentes no olival perto de dez elementos da associação e cerca de cinco ou seis pessoas de cada instituição, o que totalizou um número de 45/50 pessoas envolvidas na colheita. “Todos os dias os utentes das instituições apanhavam a azeitona connosco e ao final do dia havia a uma visita guiada à cooperativa de Portalegre para ver o processamento e a forma como é feito o azeite” explica Diogo. “Estamos a contar que neste ano consigamos produzir à volta de 15 a 20 garrafões de azeite o que totaliza à volta de 75 a 100 litros e a intenção é dividir estes 15/20 garrafões pelas instituições que participaram connosco e também pelos estudantes carenciados do politécnico” acrescenta.

Não só os membros da associação académica se sentiram bem em ajudar como as associações convidadas se sentiram muito felizes com a oportunidade de participar. “Obtemos um feedback excelente. Estas pessoas adoraram estar connosco, adoraram o projeto e o facto de os termos convidado fez com que se sentissem especiais” revela o Presidente. “Gostaram do facto de nós lhes termos mostrado que para nós, alunos do politécnico, eles também são pessoas normais, pessoas com quem nós queremos e gostamos de conviver. Tudo o que recebemos foram, sem dúvida, opiniões positivas” acrescenta.

Apesar do feedback positivo, as expectativas para a segunda edição do olival solidário e ecológico não eram as melhores. “É de realçar que a segunda edição correu mesmo muito bem ao contrário daquilo que eu pensava pois tinha algum medo de que os membros das instituições não se encontrassem disponíveis devido a possíveis incapacidades de alguns, ou simplesmente não quisessem apoiar o nosso projeto” explica Diogo. “Mas ao contrário daquilo que eu estava a pensar correu bastante bem, muitos deles já tinham experiência o que nos ajudou bastante, fizemos uma colheita muito boa, ainda que relativamente inferior à do ano passado em termos de quilos, mas também devido à própria natureza que não ajudou tanto quando poderia”, revela o Presidente.

Para Lúcia Bartolomeu, este projeto não poderia ser o mesmo sem a ajuda do Politécnico. “Esta atividade só teve sucesso, graças ao Politécnico, pois além de nos autorizar a utilização do espaço ainda nos forneceu o almoço durante toda a semana”.

De acordo com a coordenadora do projeto, este tipo de apoios fizeram toda a diferença. “Recebemos vários apoios vindos de diferentes instituições e entidades, desde o apoio da União das Freguesias da Sé e São Lourenço, quando nos cederam a carrinha para conseguir fazer o transporte da azeitona para o lagar até ao apoio por parte do lagar, que nos disponibilizou um funcionário para a visita guiada.” Neste tipo de projetos os pequenos pormenores fazem a diferença e as pessoas também. “O Engenheiro João Milheiro foi um dos apoios mais importantes nesta atividade. Todos os imprevistos que ocorreram foi ele que nos deu soluções para que a mesma tivesse sucesso” acrescenta.

Quem também partilha da mesma opinião é o Presidente da Associação. “Recebemos o apoio do politécnico, na compra de alguns materiais e também da Escola Superior Agrária de Elvas com os panos de recolha da azeitona e da própria máquina vibratória.” Para além destas ajudas conseguiu também com a candidatura ao prémio Santander, receber 1000 euros” revela Diogo.

Um prémio de esperança

Uma das surpresas da edição deste ano foi o prémio Santander Totta. Com este projeto a AAIPP foi reconhecida com o Prémio Voluntário Universitário-Santander. “O facto de termos recebido este prémio e de termos ficado em quarto lugar de 100 candidaturas de todas as universidades e politécnicos do nosso país com este projeto é gratificante” esclarece o Presidente. “Sentir que lá fora, no mundo universitário e até mesmo no mundo profissional, alguém olhou para o nosso projeto e percebeu que estava bem construído, que chegava a várias faixas etárias, chegava a diferentes setores de necessidade social é uma sensação inexplicável” revela.

Para a associação, o importante deste prémio não é o dinheiro, mas sim o “reconhecimento que acaba por ser dado não só à associação académica como às próprias instituições que participaram e claro, ao Politécnico”. Ainda assim, este valor monetário tem já o seu destino definido. Uma metade destes mil euros vai ser investida na compra de materiais para as próximas edições deste projeto e a outra metade vai ser divida pelas 6 instituições de cariz social, que totaliza perto de 100 euros por cada instituição.

 

Enquanto coordenadora do Departamento de Ação Social, Lúcia revela que “é um orgulho imenso dizer que juntos, conseguimos este prémio. E é este orgulho que temos de levar sempre connosco para que tenhamos maior sucesso durante este mandato.”

De acordo com o Presidente da Associação Académica não só a associação ficou contente com este prémio como todo Politécnico e a presidência do mesmo. “Ficaram extremamente felizes pela forma eficaz como nós agarramos este projeto. Foram eles que nos lançaram este desafio e o facto de nós termos aceite e de ter corrido tão bem foi espetacular” explica. Diogo acrescenta ainda que “foi muito bom ver que as pessoas dentro do próprio Politécnico nos começam a reconhecer como uma associação preocupada com assuntos de cariz social.”

De olhos postos no futuro

Com o sucesso da primeira e da segunda edição, já está em vista uma terceira. “Os planos para a próxima edição mantêm-se. Queremos trazer as instituições na mesma, queremos levá-las ao lagar, queremos fazer o engarrafamento com elas, mas queremos também, e acho que essa será a grande mudança, profissionalizar um pouco mais o projeto” revela o dirigente. O objetivo da associação é, desta forma, adquirir algum material próprio para dar mais condições aos utentes durante a colheita da azeitona, como uma tenda, para se caso chova, ter sempre um jipe à mão, entre outras coisas. “Esse tipo de melhorias que podemos fazer é que vai tornar a coisa um pouco mais profissional e mais organizada”, ajunta.

Ainda assim, como em todos os projetos, existem pormenores que podiam ter sido diferentes. “O que nós achamos que poderia correr melhor é aquilo que temos como objetivo melhorar na próxima edição, ou seja, a mobilização dos estudantes”, explica Diogo. “Os estudantes infelizmente encontram-se pouco mobilizados, desta forma queremos mudar isso, mas como sabemos este é um processo que leva tempo e que não se faz da noite para o dia”. Ainda assim o Presidente da Associação Académica de Portalegre, em conjunto com todos os membros que fazem parte dela, têm as suas expectativas bastante elevadas e esperam que este Olival Ecológico e Solidário, seja, sem dúvida uma iniciativa para continuar durante muitos anos.

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